Artigo de justificativa sobre o uso do pamidronato no tratamento de suporte do Mieloma Múltiplo

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
COMISSÃO DE FARMÁCIA E TERAPÊUTICA

As principais manifestações clínicas do mieloma múltiplo estão relacionadas à destruição óssea. Esta doença pode levar a fraturas patológicas, compressão medular, hipercalcemia e dor, sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade.

Estas complicações resultam do desequilíbrio da reabsorção e formação óssea, decorrente do aumento da atividade osteoclástica. Este aumento é mediado pela liberação de fatores ativadores de osteoclastos, que são produzidos no microambiente da medula óssea por células tumorais e não tumorais. Os bifosfonados são inibidores específicos da atividade osteoclástica e são eficazes no tratamento da hipercalcemia associada às neoplasias malignas e podem reduzir o aparecimento de complicações
esqueléticas.1

O uso de terapia com bifosfonatos tem resultado em uma significante redução nos eventos esqueléticos, como a ocorrência de fraturas patológicas, lesões líticas, dor óssea e hipercalcemia. Além disso, foi recentemente mostrado que podem ter um benefício na sobrevida em um subtipo de pacientes com Mieloma Múltliplo.2

O pamidronato dissódico é um bifosfonado de segunda geração, 100 vezes mais potente que o etidronato e pode ser utilizado endovenosamente. 2

O pamidronato dissódico exerce efeitos antimieloma indiretos por induzir a apoptose de
osteoclasos, ou diretamente por induzir a apoptose de células do mieloma. Em estudos clínicos incluindo pacientes com doença avançada e no mínimo uma lesão lítica, comparando o pamidronato e placebo, o número de eventos esqueléticos por ano e o tempo mediano para o primeiro evento esquelético foram reduzidos no grupo que recebeu pamidronato. As dores ósseas e a qualidade de vida foram significativamente melhores neste grupo também.1

O Pamidronato dissódico é recomendado pela “American Society of Clinical Oncology“ e foram criados “Guidelines” para sua utilização, como resumido a seguir:

– Para pacientes com destruição lítica de osso ou fratura com compressão de medula, pamidronato (90 mg administrados em pelo menos 2 horas por via endovenosa) ou ácido zoledrônico ( 4 mg em 15 minutos) a cada 3 a 4 semanas. Também é razoável iniciar terapia com bifosfonatos em pacientes com mieloma múltiplo e osteopenia, mas nenhuma evidência de destruição lítica óssea. Bifosfonatos não são recomendados para pacientes com gamopatia monoclonal com significância indeterminada.

Ácido zoledrônico não é recomendado para uso em pacientes com severo comprometimento renal (creatinina sérica >3,0 mg/dl ou clearence de creatinina 500 mg/24hs) deveria levar a descontinuação do tratamento, e o paciente reavaliado após 3 a 4 semanas. O pamidronato será reinstituído quando função renal retornar ao nível basal. Após iniciado, a terapia deve ser continuada por um período de 2 anos. 4

O pamidronato é aprovado para o FDA e ANVISA para este fim, tem grau de eficácia:

classe I, Recomendação: IIA e nível de evidência: B.5

Além disso, a medicação está na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais.6

Sendo assim, as bases fisiopatológicas da doença e as evidências derivadas dos estudos clínicos, sustentam a inserção do pamidronato no arsenal terapêutico dos pacientes com Mieloma Múltiplo e doença óssea no Hospital Universitário/ UFSC.

1- Hungria, V T M, Doença óssea em Mieloma Múltiplo, Rev. Brás. Hematol.
Hemoter. 2007; 29(1): 60-66

2- Raje, N, Anderson, K C, Blood, Introduction: the evolving role of biphosphonate therapy em multiple myeloma, 15 jul 2000. Vol 96, n 2, 381-382.

3- Barlogie, B, ET AL, Treatment of multiple myeloma, Blood, 1 jan 2004, vol 103, n 1,20- 32

4- Berenson, J R, – The use of Bisphosphonates in patients with multiple myeloma. Dísponível em : UpToDate. Acessado em 07/07/2008

5- Pamidronate. In Drugdex. Thomson Healthcare; 2008 [atualizado periodicamente]
Disponível em www.portaldapesquisa.com.br (acesso mediante assinatura). Acessado em 07/07/2008 às 10h00.

6- Brasil. Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais – RENAME. Brasília, 2007, pág. 45.

Florianópolis, 09 de julho de 2008.

Dra. Adriana Mello Barotto

Médica do CIT/SC e Membro da Comissão de Farmácia e Terapêutica do HU/UFSC



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One thought on “Artigo de justificativa sobre o uso do pamidronato no tratamento de suporte do Mieloma Múltiplo

  1. Gracias a un amigo me llegó este artículo Hace un año y medio se me diagnosticó mieloma múltiple. Durante 6 meses tuve quimioterapia incluyendo el pamidronato, La enfermedad remitió y ahora estoy sin tratamiento pero con controles periódicos. Quisiera saber si hay alguna medicina alternativa que pueda ayudar para mantener lo logrado. Desde ya muchas gracias !!
    Eva

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