Transplante de Medula Óssea

O transplante de células tronco se tornou um tratamento padrão para pacientes jovens com mieloma e um bom estado de saúde geral. Atualmente, o transplante já está sendo realizado também em pacientes mais velhos. O primeiro passo consiste em tratar o mieloma para reduzir a doença.

O transplante de medula óssea, ou transplante de células estaminais, envolve a colheita de células estaminais saudáveis para reabastecer a medula óssea do paciente. As novas células assumem a produção das células sanguíneas.

Em algumas circunstâncias, pode ser possível transplantar a medula óssea de outra parte do corpo do próprio paciente, isto é conhecido como transplante autólogo. Nestes casos, a medula óssea é tratada, de modo a ficar isenta de quaisquer células doentes antes de serem devolvidas ao paciente.

Prognóstico

Os medicamentos utilizados para preparar o corpo do paciente podem causar efeitos colaterais desagradáveis e existe o risco de complicações, como, por exemplo, o corpo rejeitar as novas células ou as células estaminais atacarem o corpo.

Muitas pessoas podem levar até um ano para se recuperarem totalmente deste procedimento.

Quem deve fazer Transplante de Medula Óssea?

Os transplantes são normalmente recomendados se:

  • O receptor do transplante tem um estado de saúde geral bom.
  • O doador seja irmão (ã) do receptor, o que reduz as chances do transplante ser rejeitado ou de doença enxerto hospedeiro.
  • Não estiver havendo resposta a outras formas de tratamento ou considera-se que existe um risco elevado da doença retornar se o transplante não for realizado.
  • Considera-se que os benefícios do transplante superam os riscos.

Importância do Tipo de Tecido

Todo o tecido humano tem um código genético e um padrão de proteínas da superfície celular que identifica a célula como sendo própria ou não, conhecido como antígeno de leucócitos humanos (HLA). Idealmente, o receptor deve receber o transplante de alguém com um código idêntico ou muito semelhante.

O código genético é herdado dos pais. Se o receptor tiver um irmão (ã) disposto a ser um doador, é necessário verificar se o código genético é o mesmo. Há uma chance em quatro de que cada irmão vai ter uma correspondência exata.

Se o tecido transplantado tiver um código genético diferente, o sistema imunológico do beneficiário pode considerá-lo como um objeto estranho e rejeitar o transplante.

Alternativamente, as células do tecido transplantado podem considerar o resto do corpo como um corpo estranho e começar a atacá-lo, levando à doença do enxerto hospedeiro.

Registro de Doadores de Medula Óssea

Se nenhum dos irmãos é um doador compatível, ou se o receptor é apenas uma criança, pode ser realizada uma pesquisa em bancos de medula óssea, que geralmente contém uma lista de pessoas dispostas a doar células-tronco.

Foi criado, em 2000, o Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (REDOME), instalado no Instituto Nacional de Câncer (INCA), com as informações do receptor, que não disponha de doador aparentado, busca-se no REDOME um doador cadastrado que seja compatível com ele e, se encontrado, articula-se a doação.

Etapas do Transplante

Existem cinco fases no processo de transplante:

  • Exame físico e estado geral de saúde do receptor.
  • Obtenção das células estaminais que serão utilizadas no transplante.
  • Preparação do corpo do receptor para o transplante (conhecido como condicionamento).
  • Transplante das células estaminais.
  • Período de recuperação, durante a qual o paciente será monitorizado para quaisquer efeitos colaterais e complicações.

Exame Físico

Um exame físico completo deve ser feito antes do transplante das células-tronco. O estado geral de saúde terá um papel importante na recuperação do paciente após o procedimento.

Como parte dos exames para verificação do estado geral de saúde podem ser realizados exames de rastreamento, para verificar a condição de órgãos, como fígado, coração e pulmões. Alguns dos medicamentos são utilizados no condicionamento e processo de recuperação podem ocasionalmente causar problemas em outros órgãos, por isso, é importante saber como eles estão funcionando antes da realização do transplante.

Após o transplante, o paciente estará mais propenso a infecções, nesse sentido é vital garantir que o paciente não tenha nenhuma infecção antes de iniciar o procedimento.

Se o paciente tiver alguma condição relacionada ao câncer, pode ser necessária a realização de uma biópsia, para saber se a doença está em remissão e se existe o risco de uma recidiva.

Obtenção das Células-Tronco

Uma vez feito o exame físico, será necessário realizar a coleta de células-tronco.

O método usual é retirar sangue do corpo, separando as células-tronco de outras células e devolver o sangue.

Outra forma é mediante a coleta de células da medula, com o auxílio de uma agulha e seringa especial.

Transplante Autólogo

No transplante autólogo são utilizadas as próprias células-tronco do paciente, que podem ser colhidas utilizando um dos métodos descritos acima. As células-tronco serão tratadas com altas doses de radiação ou quimioterapia para garantir que não existam células cancerígenas.

Se for realizado como um transplante de medula óssea, será necessário retirar, com uma agulha, medula óssea, normalmente a partir do osso do quadril. O procedimento é de baixo risco, mas a área onde a agulha foi inserida pode ficar dolorida.

Transplante Alogênico

Se as células-tronco do próprio paciente não são adequadas para o transplante, será necessário ter um doador saudável, isto é conhecido como transplante alogênico.

O processo de coleta de células a partir de um dador saudável é semelhante a um transplante autólogo. Durante 4 dias, antes do procedimento, o doador receberá medicamentos que estimulam a produção de células-tronco no sangue. No quinto dia, é realizado um exame de sangue para verificar se já existe uma quantidade suficiente de células-tronco circulantes. Ele será ligado a uma máquina separadora de células, sem a necessidade de uma anestesia geral, para a coleta das células.

O sangue é removido através de uma veia do braço, passa através de uma máquina de filtragem para separar as células-tronco de outras células no sangue, e retorna ao corpo através de uma veia no outro braço.

A remoção de medula óssea do osso do quadril é feita usando uma agulha e seringa especiais. Embora esta não seja uma operação cirúrgica, ficarão marcas da agulha na pele. Como pode haver algum desconforto no local onde a agulha foi inserida, o doador ficará hospitalizado por até 48h para um período de recuperação.

Preparação para o Transplante

À medida que o paciente necessita receber vários medicamentos, como parte do processo de condicionamento, um cateter será inserido em uma veia próxima ao coração, para evitar a necessidade de ter que receber muitas injeções.

O processo de condicionamento envolve o uso de altas doses de quimioterapia e, possivelmente, radioterapia, por três razões:

  • Destruir a medula óssea existente e criar espaço para o tecido transplantado.
  • Destruir quaisquer células cancerígenas existentes.
  • Interromper a função do sistema imunológico para reduzir a chance de rejeição do transplante.
  • O processo de condicionamento normalmente leva de 4 a 7 dias. Você provavelmente terá que ficar no hospital durante todo o procedimento.

Os efeitos colaterais da quimioterapia incluem:

  • Náuseas.
  • Vômitos.
  • Diarreia.
  • Perda de apetite.
  • Úlceras na boca.
  • Cansaço.
  • Erupções cutâneas.
  • Perda de cabelo.

Os efeitos colaterais podem durar várias semanas após o término do condicionamento, as úlceras na boca e as erupções cutâneas devem desaparecer uma vez que o tecido transplantado comece a produzir novas células sanguíneas.

Os efeitos colaterais menos comuns do processo de condicionamento podem provocar danos nos pulmões e uma condição conhecida como doença veno-oclusiva, que faz com que os vasos sanguíneos do fígado fiquem inchados. Isso pode causar dor abdominal, icterícia (pele e mucosas amarelas) e ganho de peso.

A doença veno-oclusiva pode ser tratada com medicamentos que ajudam a prevenir coágulos sanguíneos e em casos graves por cirurgia ou transplante. A lesão pulmonar ou infecção pulmonar pode ser tratada com o oxigênio, antibióticos e corticoides.

O Transplante

O transplante pode ser normalmente realizado em 1 a 2 dias após o término do condicionamento. As células-tronco doadas são introduzidas ao corpo através de um acesso central. Esse processo leva cerca de 1h para ser concluído.

Período de Recuperação

Após o transplante, o paciente poderá estar enfraquecido e pode ter falta de apetite, vômitos e diarreia. Para prevenir a desnutrição, receberá, via oral, um apoio nutricional, com fluídos de proteína.

A primeira fase da recuperação é esperar para que as células-tronco encontrem seu caminho para a medula óssea e comecem a produzir novas células do sangue, denominado enxerto. O enxerto normalmente acontece dentro de 15-30 dias após o transplante.

Enquanto o paciente aguarda o enxerto, terá de receber transfusões de sangue regulares, porque a quantidade de glóbulos vermelhos estará baixa. Ele também estará propenso a infecções devido ao número reduzido de glóbulos brancos. Portanto, ficará hospitalizado, e em um ambiente livre de germes.

Após a realização do enxerto, o corpo começará a produzir células sanguíneas. Entretanto, ainda estará muito fraco em função dos efeitos da quimioterapia.

O paciente ainda estará propenso a desenvolver uma infecção, pois pode levar um tempo para seu sistema imunológico recupere sua força plena. Além disso, poderão ser receitados imunossupressores, para impedir a função do sistema imunológico, a fim de evitar a doença do enxerto hospedeiro.

Riscos do Transplante de Medula Óssea

O transplante de células-tronco é um procedimento com riscos significativos de complicações graves, geralmente, reduzidos se:

  • O paciente for jovem.
  • O doador for irmão(ã) do paciente.
  • O paciente não tiver outras condições graves de saúde.

O risco de ocorrerem complicações após o transplante é significativo, por isso é importante que o paciente esteja ciente dos riscos e possíveis benefícios do tratamento.

O principal problema do transplante de células estaminais é a capacidade do paciente em suportar as elevadas doses de quimioterapia e radioterapia geralmente administradas antes do transplante.

Um transplante autólogo é geralmente considerado menos perigoso do que o transplante alogênico. Por isso, a idade limite do paciente, é 55 anos para o transplante alogênico e entre 60-70 anos para o transplante autólogo.



Compartilhe no Facebook

Digite abaixo seu endereço de email para ficar informado sobre novidades, pesquisas clínicas, notícias e novos tratamentos. (Seu e-mail não será divulgado).
Após digitá-lo, clique em ENVIAR

Feito isso, acesse seu e-mail e confirme a mensagem que enviaremos até você



2 comments on “Transplante de Medula Óssea

  1. portador de MM desde janeiro de 2011. Transplante autólogo em março de 2012. Rescidiva da doença após 5 meses. Reiniciada quimioterapia para estabilização.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *